Os tumores benignos são proliferações celulares anormais que, diferentemente das neoplasias malignas (câncer), apresentam crescimento lento, expansivo e geralmente delimitado por uma cápsula fibrosa, o que impede a invasão de tecidos vizinhos e a formação de metástases. A causa raiz fundamental para o surgimento de qualquer tumor benigno é uma falha pontual na regulação do ciclo celular: as células se dividem mais rapidamente do que morrem (falha na apoptose), muitas vezes devido a mutações genéticas adquiridas ou herdadas, mas mantêm a diferenciação celular muito semelhante à do tecido original.
Entre os tumores de tecidos moles, o mais prevalente é o lipoma, constituído por células de gordura (adipócitos) organizadas dentro de uma cápsula fina logo abaixo da pele. A etiologia dos lipomas possui um forte componente genético; é comum observar múltiplos lipomas em membros de uma mesma família (lipomatose familiar). Além da hereditariedade, postula-se que traumas físicos locais (“pancadas”) possam atuar como gatilhos, onde o processo de reparo do tecido adiposo lesionado resulta em um crescimento desordenado e encapsulado da gordura.
Na saúde ginecológica, os leiomiomas (ou miomas uterinos) representam os tumores benignos mais frequentes em mulheres em idade fértil. Sua causa é intrinsecamente ligada à influência hormonal, sendo classificados como tumores estrogênio-dependentes; ou seja, eles crescem em resposta aos altos níveis de estrogênio e progesterona e tendem a atrofiar na menopausa. Fatores de risco adicionais incluem a predisposição genética, obesidade (devido à conversão periférica de hormônios) e a nuliparidade (mulheres que nunca tiveram filhos têm maior incidência).
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No contexto neurocirúrgico, os meningiomas são os tumores benignos intracranianos mais comuns, originando-se nas células da aracnoide (as membranas que revestem o cérebro e a medula). As causas principais identificadas incluem a exposição prévia à radiação ionizante (como radioterapia na infância), que pode induzir mutações no DNA celular décadas depois, e síndromes genéticas específicas, como a Neurofibromatose tipo 2 (NF2). Curiosamente, assim como os miomas, os meningiomas também podem apresentar receptores hormonais, o que explica sua maior prevalência no sexo feminino.