Os tumores cerebrais representam uma das condições neurológicas mais preocupantes, e a detecção precoce é fundamental para melhorar o prognóstico e as chances de tratamento bem-sucedido. A grande maioria dos tumores cerebrais são doenças esporádicas, ou seja, ocorrem sem histórico familiar ou causa genética identificável, o que significa que não existe um exame de rotina preventivo (screening) para a população em geral. Existem diferentes tipos de tumores cerebrais, desde benignos como meningiomas e neurinomas do ouvido, até malignos como gliomas de alto grau e metástases cerebrais, sendo que cada tipo tem características e sintomas específicos que podem ajudar na identificação precoce.
O principal meio de descobrir um tumor cerebral cedo é estar atento aos sintomas e sinais de alerta que o corpo apresenta. A dor de cabeça é o sintoma mais comum, mas nem toda cefaleia indica um tumor cerebral, sendo necessário observar mudanças importantes como dor de cabeça nova ou com padrão diferente do habitual, especialmente quando acompanhada de sintomas neurológicos focais. Os sinais de alerta incluem fraqueza ou dormência em um lado do corpo, crises convulsivas sem histórico prévio, alterações visuais como visão dupla ou perda progressiva da visão, dificuldade para falar, desequilíbrio ao caminhar, queda frequente de objetos das mãos e alterações cognitivas ou de personalidade. Em pessoas mais velhas que nunca tiveram dor de cabeça e passam a apresentar esse sintoma, a investigação também é recomendada mesmo sem outros sinais focais.
Quando há suspeita de tumor cerebral baseada nos sintomas, o exame de imagem indicado é a ressonância magnética de crânio, considerada o método mais preciso e sensível para detectar tumores cerebrais em estágio inicial. A ressonância geralmente é solicitada com contraste paramagnético (gadolínio), que permite melhor visualização das lesões tumorais e suas características, podendo ser complementada com sequências especiais como espectroscopia e perfusão, que ajudam a diferenciar tipos de tumores e orientar o diagnóstico. Embora a tomografia computadorizada seja mais acessível e frequentemente utilizada em serviços de emergência, ela tem menor sensibilidade que a ressonância para detectar tumores cerebrais pequenos ou em localização específica, sendo reservada principalmente para situações agudas ou quando a ressonância não está disponível.
É importante ressaltar que apenas uma pequena parcela dos tumores cerebrais tem causa genética hereditária, geralmente associada a síndromes específicas como neurofibromatose tipo 2, em que o rastreamento com exames de imagem periódicos está indicado. Para a população geral sem histórico familiar ou síndromes genéticas conhecidas, não há recomendação de fazer ressonância de rotina sem sintomas, pois os tumores cerebrais primários são raros e esporádicos na maioria dos casos. A melhor estratégia de detecção precoce continua sendo o reconhecimento dos sintomas de alerta e a procura imediata por avaliação médica especializada quando sinais neurológicos novos ou mudanças no padrão de sintomas habituais surgirem, permitindo diagnóstico e tratamento no momento mais adequado.