• Formado em Medicina pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).
  • Residência de Neurocirurgia na Santa Casa de Belo Horizonte.
  • Fellow em Radiocirurgia e Neurocirurgia Funcional pela Universidade da Califórnia Los Angeles (UCLA) EUA.
  • Neurocirurgião do Corpo clínico do Hospital Sirio Libanês e Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo
  • Autor do Neurosurgery Blog
  • Autor de 4 livros
  • Colaborador na criação de 11 aplicativos médicos.
  • Editor do Canal do YouTube NeurocirurgiaBR
  • Diretor de Tecnologia de Informação da Associação Paulista de Medicina (APM) 
  • Delegado da Associação Médica Brasileira (AMB)

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O Que Você Precisa Saber Sobre o Craniofaringioma. JULIO PEREIRA NEUROCIRURGIÃO

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O craniofaringioma é um tipo de tumor cerebral raro que, apesar de ser classificado como benigno — ou seja, não canceroso e que não se espalha para outros órgãos —, pode causar um impacto gigantesco na qualidade de vida do paciente. Ele surge na base do crânio, mais especificamente na região da hipófise (glândula pituitária) e do hipotálamo, áreas que funcionam como o verdadeiro “centro de comando” hormonal do nosso corpo. Desenvolvendo-se a partir de resquícios de tecidos embrionários que não desapareceram durante a gestação, esse tumor tem um crescimento lento, mas sua localização crítica, cercado por vasos sanguíneos, nervos e glândulas vitais, faz com que ele seja um adversário complexo na neurocirurgia.

À medida que o tumor ganha volume, ele começa a espremer estruturas fundamentais ao seu redor, gerando uma cascata de sintomas que podem ser bastante debilitantes. Um dos sinais mais clássicos e alarmantes é o comprometimento da visão, especialmente a perda da visão periférica, ocorrendo porque a massa tumoral frequentemente pressiona o quiasma óptico (o cruzamento dos nervos da visão). Além disso, a compressão da hipófise desregula a produção de diversos hormônios essenciais, podendo causar atrasos severos no crescimento e na puberdade em crianças, além de fadiga extrema, ganho de peso inexplicável, dores de cabeça constantes e uma sede insaciável acompanhada de urina excessiva, quadro conhecido como diabetes insipidus.

Curiosamente, o craniofaringioma apresenta um padrão demográfico peculiar, afetando principalmente dois grupos etários distintos: é mais diagnosticado em crianças e adolescentes entre 5 e 14 anos, e em adultos mais velhos, geralmente na faixa dos 50 aos 74 anos. Quando os sintomas levantam a suspeita da doença, o diagnóstico exige um trabalho de detetive médico minucioso. A equipe de saúde, geralmente envolvendo neurologistas e endocrinologistas, recorre a exames de imagem de altíssima precisão, como a ressonância magnética (RM) e a tomografia computadorizada, que são fundamentais para visualizar o tamanho e a exata posição do tumor. Esses exames são complementados por rigorosas avaliações oftalmológicas e painéis de sangue para mapear os déficits hormonais.

O tratamento desse tumor é um verdadeiro desafio que exige uma abordagem multidisciplinar, e é aqui que a tecnologia médica tem feito grande diferença. A principal linha de defesa costuma ser a cirurgia de remoção, mas como retirar todo o tumor pode ser perigoso para as estruturas vizinhas, a radiocirurgia estereotáxica tornou-se uma ferramenta revolucionária. Apesar do nome, a radiocirurgia não envolve cortes ou bisturis; trata-se de um tratamento que direciona feixes de radiação de altíssima precisão e intensidade exclusivamente nas células tumorais (ou naquilo que restou após a cirurgia), poupando os tecidos saudáveis e essenciais ao redor, como os nervos ópticos. Essa abordagem minimiza os riscos operatórios e ajuda a impedir que o tumor volte a crescer. Ainda assim, devido aos danos prévios na hipófise, a maioria dos pacientes precisará de reposição hormonal pelo resto da vida, fazendo do acompanhamento contínuo o pilar fundamental para garantir uma vida saudável.