• Formado em Medicina pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).
  • Residência de Neurocirurgia na Santa Casa de Belo Horizonte.
  • Fellow em Radiocirurgia e Neurocirurgia Funcional pela Universidade da Califórnia Los Angeles (UCLA) EUA.
  • Neurocirurgião do Corpo clínico do Hospital Sirio Libanês e Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo
  • Autor do Neurosurgery Blog
  • Autor de 4 livros
  • Colaborador na criação de 11 aplicativos médicos.
  • Editor do Canal do YouTube NeurocirurgiaBR
  • Diretor de Tecnologia de Informação da Associação Paulista de Medicina (APM) 
  • Delegado da Associação Médica Brasileira (AMB)

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Meningioma no seio cavernoso: qual a melhor escolha? JULIO PEREIRA NEUROCIRURGIÃO

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O meningioma com invasão do seio cavernoso é um tumor geralmente benigno (grau 1 da OMS) que cresce em uma região anatômica complexa, onde passam nervos cranianos (III, IV, V e VI) e a artéria carótida interna. Essa localização torna a ressecção cirúrgica completa difícil e arriscada, pois a tentativa de retirar todo o tumor de dentro do seio pode causar déficits oculomotores permanentes, dor facial ou lesão vascular. Por isso, a estratégia moderna prioriza a “ressecção máxima segura” da porção extracavernosa, preservando a função neurológica.

Os sintomas mais comuns incluem visão dupla, queda da pálpebra, dor ou dormência na face e, em alguns casos, redução da visão quando o tumor comprime o nervo óptico. Tumores pequenos e assintomáticos podem ser apenas acompanhados com ressonância magnética periódica. Já lesões maiores, sintomáticas ou em crescimento costumam exigir tratamento. A decisão é individualizada e considera o tamanho do tumor, a idade do paciente, a velocidade de crescimento e a presença de déficits neurológicos.

Atualmente, a radiocirurgia estereotáxica (Gamma Knife, LINAC ou CyberKnife) é o tratamento de escolha para a maioria dos meningiomas pequenos a médios confinados ao seio cavernoso, com taxas de controle tumoral superiores a 90% em 5 a 10 anos e baixa morbidade. Em tumores grandes com efeito de massa significativo, a abordagem combinada — descompressão cirúrgica da porção extracavernosa seguida de radiocirurgia sobre o remanescente — oferece excelente controle a longo prazo, com preservação funcional superior à tentativa de ressecção radical.

O acompanhamento pós-tratamento é fundamental, pois, embora o controle local seja alto na maioria dos casos, existe risco de progressão tardia, especialmente em meningiomas de grau 2 ou 3. A avaliação multidisciplinar (neurocirurgião, radioterapeuta e oftalmologista) é essencial para definir a melhor estratégia, equilibrando controle do tumor e qualidade de vida. Em centros especializados, a maioria dos pacientes com meningioma do seio cavernoso consegue manter função neurológica estável e controle tumoral por muitos anos.