• Formado em Medicina pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).
  • Residência de Neurocirurgia na Santa Casa de Belo Horizonte.
  • Fellow em Radiocirurgia e Neurocirurgia Funcional pela Universidade da Califórnia Los Angeles (UCLA) EUA.
  • Neurocirurgião do Corpo clínico do Hospital Sirio Libanês e Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo
  • Autor do Neurosurgery Blog
  • Autor de 4 livros
  • Colaborador na criação de 11 aplicativos médicos.
  • Editor do Canal do YouTube NeurocirurgiaBR
  • Diretor de Tecnologia de Informação da Associação Paulista de Medicina (APM) 
  • Delegado da Associação Médica Brasileira (AMB)

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Glioma do Nervo Óptico: O que é e como preservar a visão. Julio Pereira Neurocirurgião

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O glioma do nervo óptico é um tumor de crescimento geralmente lento, classificado como um astrocitoma de baixo grau, que se origina das células gliais que sustentam o nervo responsável pela transmissão dos sinais visuais do olho ao cérebro. Este tipo de tumor é mais frequente em crianças e está frequentemente, embora não exclusivamente, associado à neurofibromatose tipo 1 (NF1), uma condição genética. A localização do tumor é particularmente delicada, uma vez que o nervo óptico tem um papel central na percepção visual, tornando o diagnóstico precoce fundamental para a preservação da visão.

Os sintomas clínicos variam conforme a localização e a extensão do tumor ao longo das vias ópticas. Os pacientes podem apresentar uma perda de acuidade visual progressiva, proptose (o “olho saltado”), estrabismo ou alterações no campo visual. Em muitos casos, a manifestação pode ser silenciosa inicialmente, sendo detectada apenas em exames oftalmológicos de rotina. A avaliação por ressonância magnética com contraste é o padrão-ouro para o diagnóstico, permitindo definir o tamanho da lesão e seu comprometimento em relação às estruturas adjacentes do sistema nervoso central.

O manejo desse tumor é altamente personalizado, uma vez que nem todos os gliomas do nervo óptico exigem intervenção agressiva imediata. Para tumores estáveis e assintomáticos, a estratégia de “observação vigilante” com exames de imagem seriados costuma ser a conduta preferida. A decisão de tratar é motivada principalmente pelo declínio da acuidade visual ou pelo crescimento rápido da lesão que ameaça a função do nervo, buscando sempre o equilíbrio entre o controle do tumor e a preservação da qualidade de vida e da visão da criança.

Quando o tratamento se faz necessário, as opções incluem o uso de quimioterapia para retardar o crescimento tumoral, evitando ou adiando a necessidade de procedimentos cirúrgicos que, devido à localização, poderiam resultar em perda permanente da visão. A radioterapia, embora eficaz em outros tumores cerebrais, é geralmente evitada em pacientes pediátricos, se possível, devido aos riscos de efeitos colaterais a longo prazo. O acompanhamento multidisciplinar, envolvendo oftalmologistas, neurocirurgiões e oncologistas, é essencial para garantir o melhor prognóstico possível.