A cirurgia de tumor cerebral (craniotomia para ressecção tumoral) é o tratamento principal para a maioria dos tumores cerebrais, especialmente quando o objetivo é remover o máximo possível da lesão de forma segura, aliviar sintomas (como pressão intracraniana, convulsões ou déficits neurológicos) e obter material para diagnóstico histopatológico e molecular. O procedimento começa com planejamento preciso: ressonância magnética com contraste, sequências funcionais (tractografia, fMRI para mapear áreas eloquentes como fala e movimento) e, em casos complexos, PET-CT ou espectroscopia para diferenciar tumor de edema/infiltração. O neurocirurgião define a abordagem (craniotomia frontal, temporal, parietal, suboccipital etc.) com base na localização, tamanho e relação com estruturas críticas (tronco encefálico, nervos cranianos, vasos). Em centros de referência, usa-se neuronavegação (GPS cerebral), ultrassom intraoperatório e microscópio cirúrgico de alta definição para maximizar a remoção segura.
A remoção propriamente dita ocorre sob anestesia geral, com o paciente monitorado por neuromonitorização intraoperatória (potenciais evocados motores e sensitivos, mapeamento cortical elétrico com eletrodos de estimulação) para evitar lesão em áreas eloquentes. O cirurgião faz uma incisão no couro cabeludo, remove um retalho ósseo (craniotomia), abre a dura-máter e acessa o tumor. A técnica mais comum é a ressecção microcirúrgica piecemeal (por partes): o tumor é fragmentado e aspirado com aspirador ultrassônico (CUSA), pinças bipolares para coagulação e microtesouras para dissecção delicada das bordas. Em tumores bem delimitados (meningiomas, metástases superficiais), é possível remoção em bloco; em gliomas infiltrativos (como glioblastoma), remove-se o máximo visível e palpável sem comprometer funções neurológicas críticas. Técnicas avançadas como fluorescência com 5-ALA (tumor brilha rosa sob luz azul) ou estimulação em vigília (paciente acordado para testar fala/movimento) aumentam a extensão da ressecção segura em até 20-30%.
Após a remoção, o cirurgião realiza hemostasia rigorosa (controle de sangramento com hemostáticos, irrigação e bipolar), verifica a cavidade com endoscópio ou ultrassom para resíduos, fecha a dura-máter (com enxerto se necessário), recoloca o retalho ósseo (fixado com placas e parafusos) e sutura o couro cabeludo. O tempo cirúrgico varia de 2 a 8 horas ou mais, dependendo da complexidade. Complicações possíveis incluem edema cerebral pós-operatório, sangramento, infecção, convulsões, déficits neurológicos novos (fraqueza, afasia) ou hidrocefalia — por isso o paciente fica em UTI neurológica por 24-72 horas com monitoração rigorosa de pressão intracraniana e exames de imagem seriados.
O sucesso da cirurgia depende da extensão da ressecção (quanto mais tumor removido, melhor o prognóstico em gliomas de alto grau e metástases), da preservação de funções e da recuperação pós-operatória. Após a operação, segue-se radioterapia, quimioterapia (temozolomida no glioblastoma) ou terapias-alvo/imunoterapia baseadas no perfil molecular (IDH, MGMT, BRAF etc.). Como neurocirurgião, enfatizo: a cirurgia não é para “curar” todos os tumores cerebrais malignos, mas para prolongar sobrevida com qualidade, aliviar sintomas e permitir tratamentos adjuvantes eficazes. Se você ou alguém próximo enfrenta um tumor cerebral, converse com um neurocirurgião especializado — o planejamento preciso e a técnica moderna fazem toda a diferença no resultado final.