• Formado em Medicina pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).
  • Residência de Neurocirurgia na Santa Casa de Belo Horizonte.
  • Fellow em Radiocirurgia e Neurocirurgia Funcional pela Universidade da Califórnia Los Angeles (UCLA) EUA.
  • Neurocirurgião do Corpo clínico do Hospital Sirio Libanês e Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo
  • Autor do Neurosurgery Blog
  • Autor de 4 livros
  • Colaborador na criação de 11 aplicativos médicos.
  • Editor do Canal do YouTube NeurocirurgiaBR
  • Diretor de Tecnologia de Informação da Associação Paulista de Medicina (APM) 
  • Delegado da Associação Médica Brasileira (AMB)

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Causas Genéticas dos Tumores Cerebrais: O Papel das Síndromes Hereditárias. Julio Pereira Neurocirurgião

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Embora a grande maioria dos tumores cerebrais ocorra de forma esporádica e sem uma causa hereditária clara, uma parcela importante dessas neoplasias está diretamente ligada a síndromes genéticas familiares. Essas condições são, em sua maioria, causadas por mutações em genes supressores de tumor, que perdem a capacidade de regular adequadamente a divisão celular. Como resultado, os indivíduos portadores dessas alterações genéticas apresentam uma predisposição significativamente maior para desenvolver múltiplos tumores ao longo da vida, não apenas no sistema nervoso central (SNC), mas em diversos outros órgãos, exigindo um acompanhamento oncológico e neurológico rigoroso.

As síndromes mais conhecidas e incidentes na neuro-oncologia são as Neurofibromatoses. A Neurofibromatose tipo 1 (doença de von Recklinghausen), causada por mutação no gene NF1, é classicamente associada ao desenvolvimento de gliomas das vias ópticas e astrocitomas de baixo grau, especialmente na infância. Já a Neurofibromatose tipo 2, ligada a mutações no gene NF2, tem como principal característica patognomônica o surgimento de schwannomas vestibulares bilaterais. Além disso, pacientes com NF2 apresentam um risco substancialmente elevado para o desenvolvimento de múltiplos meningiomas e ependimomas, o que torna a vigilância proativa por neuroimagem essencial.

Outras condições de grande relevância neurológica incluem a Síndrome de von Hippel-Lindau (VHL) e a Esclerose Tuberosa. A VHL, decorrente de uma mutação no gene supressor VHL, é a causa genética mais comum dos hemangioblastomas, tumores altamente vascularizados que se formam predominantemente no cerebelo, tronco encefálico e medula espinhal. Por outro lado, o Complexo da Esclerose Tuberosa, associado a mutações nos genes TSC1 ou TSC2, predispõe os pacientes à formação de hamartomas cerebrais, como os tubérculos corticais, e, de forma clinicamente mais preocupante, aos Astrocitomas Subependimários de Células Gigantes (SEGA), que podem crescer e causar hidrocefalia obstrutiva.

Por fim, síndromes de predisposição mais ampla ao câncer também têm forte repercussão no sistema nervoso central, como a Síndrome de Li-Fraumeni e a Síndrome de Turcot. A Síndrome de Li-Fraumeni, originada frequentemente pela mutação do gene TP53 (conhecido como o “guardião do genoma”), confere um risco altíssimo para tumores cerebrais agressivos, incluindo glioblastomas e meduloblastomas, muitas vezes acometendo adultos jovens e crianças. Já a Síndrome de Turcot é marcada pela rara e perigosa associação anatômica entre polipose adenomatosa colorretal (com alto risco de câncer de intestino) e tumores cerebrais primários, sendo os meduloblastomas e os glioblastomas os achados mais frequentes nesses pacientes.