Os avanços em imunoterapia para gliomas, incluindo o glioblastoma (GBM), têm sido um dos campos mais promissores da neuro-oncologia nos últimos anos, apesar dos desafios impostos pela barreira hematoencefálica, pelo microambiente imunossupressor e pela heterogeneidade tumoral. Em 2024-2025, estudos clínicos destacaram estratégias como células CAR-T direcionadas a alvos como EGFRvIII, IL13Rα2, GD2 e B7H3, com administração intracraniana ou intraventricular para superar a barreira imunológica do cérebro. Resultados preliminares de trials fase I/II mostraram reduções tumorais em até 62% dos pacientes com GBM recorrente, incluindo respostas quase completas e controle de doença em 100% de pequenos grupos, como relatado em estudos publicados em Nature Medicine e apresentados na ASCO 2025. Terapias combinadas com campos elétricos tumorais (Optune Gio) e agonistas de IL-15 (como nogapendekin alfa) também demonstraram sinergia, prolongando sobrevida em casos refratários.
Um destaque recente é o uso de CAR-T de alvo duplo ou modificadas (ex: CARv3-TEAM-E ou TGFβR2KO/IL13Rα2), que melhoram a persistência das células T no microambiente tumoral hostil e reduzem toxicidade neurológica (ICANS). Em tumores pediátricos como gliomas de linha média difusos (DIPG), terapias anti-GD2 mostraram regressão tumoral e reversão de sintomas como paralisia e dor neuropática em crianças, com designações de terapia avançada regenerativa (RMAT) pelo FDA em 2025. Vacinas personalizadas (ex: DCVax-L, IGV-001) e vacinas de RNA-LP também apresentaram sinais de sobrevida prolongada (até 6 meses a mais em GBM recém-diagnosticado), com perfis de segurança favoráveis em trials randomizados.
No Brasil e globalmente, 2025-2026 marcou aprovações e avanços regulatórios importantes: vorasidenib (inibidor de IDH) para gliomas de baixo grau mutados, dordaviprone para gliomas H3K27M-mutantes e biossimilares de bevacizumabe, ampliando opções adjuvantes à imunoterapia. Estudos como INDIGO e INCIPIENT reforçaram que combinações com inibidores de checkpoint (PD-1/PD-L1) e terapias oncolíticas virais estão em fase de expansão, com foco em superar resistência imunológica.
O prognóstico ainda é desafiador, especialmente para GBM (mediana de sobrevida ~15-20 meses), mas a imunoterapia oferece esperança real de respostas duradouras e controle de doença em subgrupos selecionados. Ensaios em andamento (2026+) testam CAR-T multi-alvo, vacinas de RNA e combinações com ultrassom focalizado para melhorar entrega de agentes imunoterápicos. Esses progressos demandam biomarcadores (ex: expressão de PD-L1, mutações IDH) para personalização e reforçam a necessidade de acesso precoce a trials clínicos para pacientes com gliomas avançados.