O Astrocitoma Pilocítico é um tumor cerebral classificado como Grau I pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o que indica um comportamento benigno e de crescimento lento. É o tumor glial mais comum em crianças e adolescentes, embora possa ocorrer raramente em adultos. Diferente dos astrocitomas difusos que se infiltram no tecido cerebral vizinho, o tipo pilocítico tende a ser bem circunscrito (com bordas definidas), o que facilita a sua identificação e diferenciação de lesões malignas mais agressivas.
Sintomas e Localização
Os sintomas dependem diretamente da localização do tumor e do aumento da pressão intracraniana. Como esses tumores surgem frequentemente no cerebelo (responsável pelo equilíbrio), é comum que o paciente apresente ataxia (dificuldade de marcha), desequilíbrio, dores de cabeça e vômitos. Outra localização frequente é o nervo óptico ou a região do hipotálamo, onde o tumor pode causar perda visual progressiva, alterações hormonais ou proptose (olho saltado). Por crescerem lentamente, os sintomas podem evoluir de forma insidiosa ao longo de meses.
Diagnóstico
O diagnóstico é realizado primariamente através de exames de imagem, sendo a Ressonância Magnética (RM) o padrão-ouro. Na imagem, o astrocitoma pilocítico apresenta uma aparência clássica: frequentemente é uma lesão cística (cheia de líquido) com um nódulo mural sólido que realça intensamente após a administração de contraste. A confirmação definitiva, no entanto, vem da biópsia ou análise histopatológica após a cirurgia, que revela células com processos longos e finos (“pilocíticos”, semelhantes a pelos) e fibras de Rosenthal, características marcantes deste tipo celular.
Tratamento e Prognóstico
O tratamento de escolha é a ressecção cirúrgica completa, que, quando possível, é considerada curativa, dispensando terapias complementares como radioterapia ou quimioterapia na maioria dos casos. O prognóstico geral é excelente, com taxas de sobrevida a longo prazo muito altas (superiores a 90% em muitos estudos). Quando o tumor está em uma área inoperável (como certas partes do tronco cerebral ou vias ópticas), a equipe médica pode optar por acompanhamento, biópsia parcial ou, mais recentemente, terapias alvo moleculares (inibidores de BRAF), dado que muitos desses tumores possuem alterações genéticas específicas.