Os meningiomas são os tumores intracranianos primários mais frequentes em adultos, originando-se não do tecido cerebral em si, mas das células aracnoides que compõem as meninges — as membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal. Devido a essa origem estrutural, eles podem surgir em praticamente qualquer lugar onde exista cobertura meníngea, mas apresentam uma forte predileção anatômica por áreas onde as granulações aracnoides são mais abundantes. Seu crescimento costuma ser lento e expansivo, comprimindo o tecido cerebral adjacente em vez de invadi-lo, o que torna a sua localização o fator determinante para os sintomas clínicos e para o grau de complexidade neurocirúrgica.
A localização mais comum e clássica para o desenvolvimento dessas lesões é a região parasagital e da foice do cérebro, que juntas respondem por cerca de 25% a 30% de todos os diagnósticos. Esses tumores crescem ao longo da linha média do encéfalo, frequentemente aderidos ou adjacentes ao seio sagital superior — o principal canal venoso de drenagem cerebral. Quando atingem volumes consideráveis nessa topografia, costumam comprimir o córtex motor localizado na face medial dos hemisférios, resultando no sintoma clássico de fraqueza muscular ou paralisia que afeta primariamente as pernas, além de aumentarem significativamente o risco de crises convulsivas focais.
Em segundo lugar em frequência, representando cerca de 15% a 20% dos casos, estão os meningiomas da convexidade. Diferente das lesões parasagitais que se ancoram na divisão central do cérebro, os tumores da convexidade crescem na superfície lateral ou superior dos hemisférios cerebrais, crescendo logo abaixo da calota craniana. Por não estarem diretamente fixados aos grandes seios venosos centrais ou abrigados nas profundezas da base do crânio, costumam ser os tumores de acesso cirúrgico mais direto. No entanto, dependendo de qual lobo cerebral estão comprimindo (frontal, parietal, temporal ou occipital), podem causar desde dores de cabeça progressivas até alterações sutis de personalidade e comportamento, caso afetem áreas frontais de forma silenciosa ao longo de anos.
Por fim, uma parcela extremamente importante e tecnicamente desafiadora agrupa os meningiomas da base do crânio (como os da asa do esfenoide, goteira olfatória e tubérculo selar), que englobam em torno de 20% das lesões. Esses tumores crescem no “assoalho” da cavidade craniana, uma região anatômica onde o espaço é exíguo e repleto de estruturas vitais de passagem. As lesões nessa topografia não apenas empurram o cérebro de baixo para cima, mas têm forte tendência a envolver artérias cruciais (como a carótida interna) e englobar múltiplos nervos cranianos. Essa complexidade faz com que os pacientes frequentemente apresentem perda visual, diminuição do olfato ou visão dupla muito antes de sentirem dores de cabeça, tornando a ressecção microcirúrgica completa um procedimento de altíssima exigência anatômica.